16/02/2019

Alguns Adeuses

Talvez não valha a pena.
Decisões tem de serem tomadas.
Alguns adeuses a serem ditos.
Uns momentos de fervor.
Horas de pensamento a fio.
Que a contemporaneidade nos desafie.
Que o rumo e o sumo do realismo
nos determine.
Com um adeus no final.
Pense na vida sem adeuses.
Seria pacata demais.
Sempre as mesmas coisas, sempre o barroquismo.
Ou trovadorismo.
Espero que a vida nunca seja igual.
Que haja adeuses, e olás.
E que você, seja quem for.
Onde estiver, com quem andas
Por quanto tempo.
Espero-lhe felicidade.
E também que não exista, nada, além disso:
Felicidade e alguns adeuses.

Traga-me

Entre sonhos me desperto.
Te vejo na escuridão, teu rosto.
Mas, não é real...
É fruto da alma.
Aquilo que eu quero ver.
Poxa, Ó o que eu desejo:
Desejo o mar inteiro
De presente imenso:
Somente a você!
"Muso" das minhas letras.
Dono de cada palavra, e pensamentos.
Na verdade, eu por inteira...

Vens também ser meu..
Traga-me teu coração, teu corpo..
Traga-me inteira a tua alma...
E por favor, Traga-me amor.

Pois o meu é somente seu!!

Moço

E sob os raios e trovões
Um deus com carnação de homem.
Tens barba alinhada.
Perfeitamente desenhada.
Um sorriso deslumbrante.
E o que se faz com o olhar?
Olha-se.
Então. Por favor, olhe para mim.
Para eu lhe admirar.
Com fôlego, se tiver.
Com sonho, se houver.
Com carinho, se puder.

Suas roupas descombinam
Com o oficio de um deus.
Mas fazer o que?
Muitas vezes os deuses precisam trabalhar,
para ganhar o céu.
Que eu seja teu céu!!

Ninguém Liga

Os dias passam, e eu aqui,
nem sempre sozinha,
nem sempre despida.
O mundo continua a girar.

As aves voam, enquanto tudo,
tudo deixa de ser como antes.
As crianças brincam de serem adultos,
os adultos querem ser crianças,
O paradoxo da vida.
Quem quer reinar num reino caído?

Quem quer subir no palanque
Para contar as verdades
que ninguém quer ouvir?
Eu sei que ninguém quer ouvir.
Talvez uma mentira,
mas nunca um segredo.

Sem se adapta com isso?
O cruel, O bárbaro, O injusto.
O pecado maior é viver.
No ninho de cobras, sem querer.
Ou viver, mas ser contra a vida.
Ou querer  o mal, ao invés de amar.

O mundo é cruel,
mas ninguém liga afinal.
Todos aqueles que vivem nele
Também são cruéis.

Eu não sei rezar

Eu ouço o som do mar, sinto-me arrepiar,
Há uma grande explosão. E eu, não sei rezar.

Mas rezo. À vida e à morte.
Das quais estão separadas, por você e por mim.

Eu olho as estrelas, sinto-me feliz.
Há uma grande harmonia, continuo sem saber rezar.

Mas, ainda rezo,
Para que os girassóis não parem de girar.
Para que o sol ainda brilhe, amanhã.

Mas, ainda sim, eu não sei rezar.

Dia chuvoso

E enquanto chove,
eu perco o sentido.
Me esqueço quem sou.
Me torno quem quero.

Oh, Grande dia chuvoso!
Não se esqueça de mim,
Dos devaneios da vida
Da contingência e saúde.

Grande dia chuvoso
Me mostre o lugar certo.
O meu caminho.
Me lembra o que eu não posso esquecer
Não posso esquecer de viver.
Um dia a mais, hoje.
E que se eu tiver que morrer.
Que a Deusa venha mi buscar.

Mas, não hoje, ainda não estou pronta!!

Estrela (título não original)

Eu nasci na primavera,
perto do solstício.
Não tenho ideia do que significa.
Mas cá estou eu!
E não irei fugir.
Afinal, não há caminhos por ali.

Eu amo o mar, sua imensidão.
Eu me pareço com ele.
Sua instabilidade e calmaria.

Eu não não sei escolher.
Mas, por felicidade escolhi.
Escolhi amar
Aquele que você deu a luz

E que obvio é a minha estrela favorita!

 

Poesia escrita originalmente à uma pessoa desconhecida e odiada pela autora

Democracia

Dos ideias e diferenças ,
Um povo desunido
se criou do nada..

A culpa não é das estrelas,
A culpa é dos navios,
das cartas e pensamentos.

Há pessoas que lutam,
umas pela democracia,
uns outros contra ela.
Sem saber ou entender.
Que precisam dela.
Da opinião.
Da argumentação.
Do debate.

E quem seríamos sem ela.
Que és tão bela?
Seríamos sucata!
Será que Sócrates morreu em vão?

O que teríamos sem ela?
Que és tão povo?
Teríamos migalha!
Será que lutamos em vão?

Espero que não!

Alguém (título não original)

E serão necessárias
Mil obras de arte
Para eu conseguir esquecer
aquilo que você
representa pare mim.

Mas, creio,
Que mil obras de arte não resolvem
Serão convocadas
As artes Universais
As Constelações e Galáxias.
As Supernovas e Nebulosas

Cada voz, cada dança.

Cada canto de canário.


E ainda sim,
Nem com esse extremo conjunto
Poderei esquecer
Aquilo que você é para mim.

 

Poesia escrita originalmente à uma pessoa desconhecida.

Dance, simplesmente dance

Quando doí...
Quando tudo doí..
A dança é a gilete.
A música é o corte.
O conjunto do suicídio,
que em cada passo se entende
com um único corte
do início do ante-braço,
até o fim do pulso
Dançar é um suicídio.
Um suicídio sem morte
sem dor ou sangue.
É liberdade
E faz parte, da felicidade.
Só que não dançar qualquer música.
Dançar uma, em que a alma possa sair
e dançar por si mesma.
Só a alma, sem o corpo.
Dançar é a poesia da alma!
É fim, é início é meio.

Dance!
Simplesmente dance!

Tapetes e chão

Ninguém para olhar, na cegueira do mundo.
Ninguém para amar, nesse mar de monstros.
Não há ninguém mais para se sentar comigo.
Talvez por olhares ou falas mal compreendidos.

Ninguém para ver, nem entender nesse paraíso.
Tudo sem tempo e espaço nesse planeta perdido.
Ninguém para compreender, mas querendo ser compreendido.

Nada a temer, nesse sujo chão, cheio de sangue.
Sangue inocente de gente pequena, que não tem muito a dar.
Nem nada a perder. Gente bem simples, mas invisível afinal.

Ninguém diria que se importa se não saísse nos jornais.
O tombo dos fracos não importa a Elite ou ao Estado.
Mesmo que passe em rede internacionais.

Quem se importa com o chão sujo com o sangue do morto
Se não a família, se não a funerária, que ganha por isso.
Um caixão bonito, cheio de flores, compensa a dor?
Obvio que não, mas ninguém liga. É só colocar um tapete.
Vão pisar em tapete bonito, até que se esqueçam do chão...