Ninguém
para olhar, na cegueira do mundo.
Ninguém
para amar, nesse mar de monstros.
Não
há ninguém mais para se sentar comigo.
Talvez
por olhares ou falas mal compreendidos.
Ninguém
para ver, nem entender nesse paraíso.
Tudo
sem tempo e espaço nesse planeta perdido.
Ninguém
para compreender, mas querendo ser compreendido.
Nada
a temer, nesse sujo chão, cheio de sangue.
Sangue
inocente de gente pequena, que não tem muito a dar.
Nem
nada a perder. Gente bem simples, mas invisível afinal.
Ninguém
diria que se importa se não saísse nos jornais.
O
tombo dos fracos não importa a Elite ou ao Estado.
Mesmo
que passe em rede internacionais.
Quem
se importa com o chão sujo com o sangue do morto
Se
não a família, se não a funerária, que ganha por isso.
Um
caixão bonito, cheio de flores, compensa a dor?
Obvio
que não, mas ninguém liga. É só colocar um tapete.
Vão
pisar em tapete bonito, até que se esqueçam do chão...
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