16/02/2019

Tapetes e chão

Ninguém para olhar, na cegueira do mundo.
Ninguém para amar, nesse mar de monstros.
Não há ninguém mais para se sentar comigo.
Talvez por olhares ou falas mal compreendidos.

Ninguém para ver, nem entender nesse paraíso.
Tudo sem tempo e espaço nesse planeta perdido.
Ninguém para compreender, mas querendo ser compreendido.

Nada a temer, nesse sujo chão, cheio de sangue.
Sangue inocente de gente pequena, que não tem muito a dar.
Nem nada a perder. Gente bem simples, mas invisível afinal.

Ninguém diria que se importa se não saísse nos jornais.
O tombo dos fracos não importa a Elite ou ao Estado.
Mesmo que passe em rede internacionais.

Quem se importa com o chão sujo com o sangue do morto
Se não a família, se não a funerária, que ganha por isso.
Um caixão bonito, cheio de flores, compensa a dor?
Obvio que não, mas ninguém liga. É só colocar um tapete.
Vão pisar em tapete bonito, até que se esqueçam do chão...

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